Crise logística pressiona preços e gera risco de desabastecimento ao redor do globo

O fechamento de portos e falta de contêineres causam atrasos e alta do frete. O problema é mais visível na Ásia, EUA e Europa, mas também já afeta o Brasil.


Nos últimos meses, os profissionais de logística internacional se depararam com diversos problemas dentro dos processos marítimos. Em março o encalhe do Evergreen no Canal de Suez, em maio, o fechamento do porto de Yantian, em Shenzhen - China, recentemente com a paralisação das atividades do porto de Ningbo, além de outros problemas causados pelo avanço da pandemia.


Ao analisar a logística em termos de oferta, há um enorme congestionamento na Ásia, sobretudo na China. A demanda, por outro lado, concentra-se, sobretudo, nos Estados Unidos e em uma porção da Europa. Os asiáticos são os grandes fornecedores de insumos e produtos acabados, e os norte-americanos e europeus, os compradores. A partir de então, houve aumento significativo do custo do frete e grandes atrasos nas entregas, o que corroborou para o atual receio de desabastecimento nos EUA.


Atualmente o valor médio do frete internacional em contêineres de 40 pés está acima de US$ 10 mil, segundo o World Conteiner Index, enquanto antes da pandemia variava de US$ 1,2 mil a US$ 2 mil. De acordo com a empresa, o indicador subiu por 21 semanas consecutivas até a última quinta-feira (9).


O transporte de carga de Xangai, na China, para Nova York, nos EUA, e Roterdã, na Holanda, custa hoje muito mais do que a média mundial, acima de US$ 15 mil e US$ 14 mil, segundo as mesmas fontes. Decorrente disso, as empresas disputam espaço em contêineres no mercado spot e os valores crescem ainda mais.

No Brasil

O Brasil acaba sofrendo, principalmente, com os efeitos em termos de demora nas entregas, cancelamentos de embarques e aumentos dos preços dos fretes. Todavia, por aqui não há exatamente um receio de desabastecimento como o que vive os norte americanos. Porém, o custo do transporte acaba impactando no valor do produto final e pesando no bolso do consumidor e das empresas importadoras, em um momento extremamente desfavorável, uma vez que a inflação está em alta.

A indústria e o varejo não esperam falta generalizada de mercadorias, com exceção da indústria automobilística. Várias montadoras já anunciaram, inclusive, a suspensão da produção por falta de semicondutores (chips) e outros componentes.

Por outro lado, os fabricantes de eletroeletrônicos aproveitaram para encomendar mais componentes, depois de um período de escassez no início da pandemia. Vale lembrar que o segmento de computadores, celulares e tablets viu a demanda crescer na esteira do isolamento social, do trabalho remoto e do comércio eletrônico. A mesma lógica vale para a indústria de eletrodomésticos, já que, para ficar em casa com mais conforto, as pessoas compraram mais eletrodomésticos.

Outra preocupação que tem afetado as empresas é a proximidade com o período das compras de fim de ano. Com a chegada no período que antecipa o Natal, se a conjuntura se mantiver a mesma e a demanda for a esperada - quando comparada aos anos anteriores -, poderá corroborar para a intensificação do cenário de desabastecimento no país, o que afeta diretamente as empresas e a população.


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